terça-feira, 15 de maio de 2012

Estranho Amor


Sei que tenho uma estranha forma de amar
Desejo-te plenamente, mas te deixo esperar por situações que não anuncio
Porém minha ausência não se traduz em indiferença
Não te amo com futilidade, mas habita a mim a força do tempo que passa

Ah! Se você entendesse menina
Esse meu querer que nada quer
É por isso que não me afeta teus amores
O que importa é estar aqui quando te chamar

Ah! Tomara que queiras seguir quando o barco chegar
Pois esse meu estranho amor só não suporta o não
Abandona essa tua lógica e se entregue
Tu sabes o que teu corpo sente na presença do meu
Abandone os dramas e os juízos
E vem viver essa loucura de amar

Antônio dos Mares 
15 de maio de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Castelo de Areia



Quando as ondas voltaram você já não estava lá
E não foram os seus pés que banhados foram
Teu amor frágil desfez-se como castelo de areia feito em deserto
E tuas juras se mostraram ilusão

Sei que deves ter mil desculpas
Poderia ouvir todas as tuas razões
Mas o fato é que cavaste um poço e nele caíste
Não conseguiste me fazer crer que poderia ser única

Hás de dizer que foi meu jogo quem definiu tuas ações
E direi que meu jogo apenas revela as intenções e força dos corações
Criaste para ti novas regras e delas não participo

Vejo os vossos caminhos e não tem haver comigo
Sou feito de maresia, há verdadeiro sabor em tudo que faço
Se um dia voltares à praia inicial da tua paixão lembra que não se oculta nada dos oceanos
E assim entenderás o restante

Fernando Maresia
13 de abril de 2012


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Lua


A força de todas as paixões está na imaginação
O real nos é impossível, mas a realidade possível é feita de sonhos
Inventamos tudo e depois transformamos em verdade para pensarmos o sentir
Portanto é livre o homem que valoriza suas criações, mas que jamais esquece que o sentir é maior que o pensar

Eu te criei e você vem me criando dentro de você
Criação que vai ganhando formas de desejo, deixando a alma em chamas só de pensar na possibilidade do toque do corpo do outro
E como um vício vamos nos alimentando de imagens e gozando só enquanto se espera

E te prometo sem fazer promessas à noite quando ela chegar
O vinho em taças apropriadas
A luz baixa, mas suficiente para vislumbrar todas as linhas do teu corpo
A poesia que envolverá tudo

E espero sem nada esperar que me tomes por inteiro
Que todos os meus líquidos sejam saboreados por ti
Que a rigidez do meu membro seja teu apoio e perdição
Que mergulhes sem medo nos mistérios dos meus mares

Guardo esse desejo na certeza que aquilo que já aconteceu aqui em nós será para fora de nós
Fantasia que vira cheiro e calor
Alma que vira pele e gemidos

Prepara tua cama
Veste tua melhor roupa
E me aguardas com toda tua sede
Pois eu estou indo

Antônio dos Mares 
11 de abril de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Noite Clara



A beleza não está nas coisas, está no olhar
O que nos arrebata não é o que vemos mas o que sentimos
É de sentir que tudo é feito, e de pensar que tudo desfeito

Foi por muito sentir que chegamos na ilha da paixões
Teu corpo branco fazia contraste com o meu
E não só as cores, mas cada detalhe do encontro era de uma beleza magnífica

Nossa caminhada pela praia
Teus pés sendo batizado pelas ondas
Nosso beijo abençoado pela maresia

Eu te explicava as coisas dos mares
E tu me sorrias como que encantada com tudo
Entre pedras, areias, ventos, mares

Na noite daquela paixão entramos nas águas escuras
E completando a paisagem nos amamos ali
A lua sobre nós ressaltava o branco da areia e do teu corpo

Meu olhar via teus traços e as estrelas
E os pescadores falavam de nós como quem fala de lendas dos mares
E meu gozo misturou-se as águas que te banhavam

Uma noite de paixão é feita de sentir e não de sentidos
Um momento inesquecível é feito de intensidade e não de duração
Um amor é feito de sede depois de se ter bem bebido

Antônio dos Mares
30 de março de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

Despedida


Precisamos nos despedir
Nosso encontro se deu em tempos avessos e em mundos imaginários
Mas você não pertence a este lugar, e não sou mais do seu mundo

Depois de um tempo habitando no mundo dos sonhos desaprendemos a pisar certos chãos

Precisamos nos despedir
Antes que nossas interpretações apaguem o que descobrimos antes de pensarmos
Salvemo-nos o amor que habita no lugar dos impossíveis
Um dia quem sabe novos portais se abram e você volte por aqui

 Fernando Maresia 
30 de março de 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

Cartas




Qual a melhor maneira de dizermos o que sentimos?
Você sempre me ensinou a dizer o que se sente, pois quando não disseres não sentirás
Mas não sou tão boa como você
Tem o dom de me envolver com que diz e como diz

E por isso mesmo preciso encontrar uma saída deste seu jogo
Chega a ser insuportável o amor que tenho
Eu sinto o sabor do seu corpo
Sinto seus abraços, toques e beijos

Escuto as músicas que usou nos nossos encontros
E angústia me toma, pois não estás aqui agora
O que precisava fazer mais para que entendesses? Para que ficasse?

Eu preciso do teu abraço forte
Eu preciso de você em mim, dentro
Meu corpo grita pelo teu
Mas você não está aqui

Senti meu coração cair e com ele caí junto
Estava escuro e eu aflita, então você veio e me beijou salvando-me novamente
E mais uma vez estava toda entregue
Mas há um lado de você que eu nunca conheci
E não sei o quanto são verdadeiras suas palavras
Mas preciso confessar que nesse jogo você ganha sempre

Estou tão apaixonada que te vejo em tudo
Mas eu não sei quem é você
Apresenta-se tão diverso de você mesmo
Que penso não ser nenhum deles ou talvez todos

Preciso inventar novas formas de sobreviver a sua ausência
Mas estou cansada, porém não consigo simplesmente deixá-lo
Quem sabe aprenda a jogar seu jogo e um dia lhe surpreenda

Ariela das Águas
21 de março de 2012


Maresia




Os amores são como ondas

Minha sede de ti foi tão grande que esperei que me pedisse qualquer coisa
Ali, naquele momento, todas as coisas eram tuas
Mas teu coração e teu corpo eram de todos menos meus
E mesmo que saiba que tenhas sentido algo de diferente teus olhos não conseguiram perceber

Eu vi você tão linda, tão meiga, tão menina, tão mulher
Mas vi também teu jogo e ele não me cabia
E percebi minhas peças sendo perdidas
E deixei a onda bater e retornar

Os amores são como ondas

E o tempo mudou todas as coisas
E o jogo recomeça, mas não éramos mais os mesmos
E tudo que poderia ser foi, mas uma cilada estava posta

Amei você, você me amou
Quis você, você me quis
Estava disposto a tudo, você estava disposta a tudo
Mas as ondas que retornam são outras

A maresia que envolveu teu corpo segue com o vento
Mas os amores são como ondas
Tudo há de retornar

Fernando Maresia
21 de março de 2012